Das colheres da papa

Eu uso o humor como ela usa a colher. Umas vezes, para comer da vida. Outras, para misturar o nosso curto tempo e fazer derramar os revezes do dia pelas beirinhas finas de um prato.

Minês Castanheira

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Dos cowboys

Discutir sobre a letra de uma música infantil é um bocado como discutir um jogo de futebol.
Há sempre mais do que uma versão da história, como com os índios, dependendo da seita a que se pertence, o tema é passível de ser debatido com unhas e dentes (se já os há) até à exaustão e é precisamente isso que farás, com recurso aos mais variados argumentos e idas ao Youtube, até chegarem à conclusão de que tanto faz que seja “manta”, como “corcunda”, se isso significar que não és tu que vais dar a sopa ao cowboy.

Minês

Das certezas da vida.

Primeiro, a morte é inevitável. Nº 2: todos temos de pagar impostos. Terceiro, a partir de uma determinada altura, se tiveres bebés, vais ter de fazer sopa. Muita sopa.
Ah, e ainda há aquela outra certeza: a de que o teu filho – aquele que se porta sempre bem, que podes levar para todo o lado, que sorri para estranhos, que adora estar com pessoas, que nunca se aflige com nada, que é altamente empático e capaz de ganhar concursos de simpatia e tem bom temperamento, todos os dias – vai, um belo dia, armar um tal berreiro no meio da rua, que te dará vontade de enterrar um chapéu na cabeça e fugir a sete pés mesmo sem pagar o pão.
E tu vais respirar fundo. Muitas vezes. Um bocado como com a sopa. E vais ignorar os olhares reprovadores das outras pessoas e perceber uma coisa mágica, que à tua volta também há pais solidários que, propositadamente, desviam o olhar da cena que a tua criança está a fazer, para que não te sintas mais embaraçada ainda.
Portanto, quinta certeza: a de que aconteça o que acontecer, já aconteceu também aos outros. Mesmo que ninguém to diga.

Minês