Sem grande conversa.

Como resolver a recorrente, inoportuna e descabida pergunta que perfeitos estranhos nos fazem, acreditando que estão no direito de opinar sobre a minha vida e a da nossa bebé e que eu, como mãe, só posso estar mal informada, ou ter sido mal aconselhada, ou ser uma mulher completamente egoísta para ter deixado aos 4 meses e meio de amamentar?

“Deixei porque foi a melhor decisão para mim e para a minha bebé. “
What?!!! Choque total.

Vão por mim: a resposta funciona e tem tendência para pôr um ponto final na conversa, tornando desnecessária qualquer justificação futura de escolhas pessoais relativas à maternidade. Dá, por isso, para continuar a arranjar as unhas sem ser preciso grande conversa, purga posterior de sentimentos de culpa ou tentar perceber como reagir educadamente.

Como mães, estão sempre a tentar evangelizar-nos. Deve ser um problema de fé.

Minês

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A culpa.

O pediatra diz-te que ela pode ter perdido peso e a primeira coisa que um pai pensa é: “o que é que terá acontecido?”. Para uma mãe, a primeira coisa que lhe passa pela cabeça é: “o que é que eu terei feito?”. Ser mãe é sentir culpa.

Culpa porque estás com ela, quando devias estar a fazer outras coisas. Culpa quando estás a trabalhar e sentes que devias estar com ela. Culpa quando ela não está bem. Culpa quando ela está bem mas podia estar melhor. Culpa quando se coloca a mínima hipótese de lhe estares a falhar. Responsabilizas-te por coisas que, na realidade, não são bem culpa tua. Nem podiam ser.

Diz-me uma boa amiga que esse sentimento é inerente à maternidade. “Vai-te habituando”, diz ela. O que acontece é que nunca chegas a poder expiar essa culpa e, portanto, vais acumulando o perigoso sentimento em doses diárias e fatais. Certo, a culpa pode não ser tua. Mas ela é tua e as fronteiras do que começa e acaba em ti, no que a ela dizem respeito, ainda não se começaram a desenhar (na tua cabeça).

A maternidade torna-nos mais generosas com o mundo, mas muito menos connosco.

Minês