26 de abril

Ontem foi assim. Sei  bem que é um post que vem tarde, mas antes do que nunca, como a revolução.

Aliás toda a gente sabe disto, que ainda que tivesse sido no dia seguinte que o caminho se fez difícil, foi esta a primeira manhã que nasceu já cheia de possibilidades.

Miguel

A vontade e a pressa

Estes já não são os primeiros, mas, como se sabe, a dificuldade não está exactamente no começar a andar, antes na determinação em encontrar o caminho, sustentar o ritmo e manter o rumo. Um passo de cada vez, de preferência, não vá a vontade ser maior do que a pressa em lá chegar.

Miguel

 

Não me queixo da rotina III

A Natália Correia, achando-nos “subalimentados de sonhos”, decretou que “a poesia é para comer“.

A sopa tem a vantagem de se comer todos os dias, e não é por ser apenas sopa que tem lá dentro menos possibilidade de utopias.

Não é um poema, mas todos os versos nascem do muito pouco e uma sopa quentinha, logo à partida, já é bem mais do que isso.

Miguel

Em esforço contínuo

Só depois de muitas daquelas últimas colheradas para terminar a comida, das muitas mudas forçadas de roupa, de mais uma vez termos que nos levantar para ir depressa resolver um minúsculo problema, se percebe que parece estarmos permanentemente a fazer o último esforço para chegar a uma meta que nunca chega ou que se multiplica em contínuo.

Mas a sopa agora já se come sem grandes reivindicações e nunca pensei que fosse possível sentir-se felicidade por coisas como essa.

Miguel

Matéria-prima

Quase um século separa estas mãos e eu quase nem as distingo.

São estas mãos mas mesmo que fossem outras, de outras nossas pessoas  – de antes ou depois -, diferença alguma vislumbraria, que numa linha contínua não há antes nem depois, nem princípio nem fim.

Todas essas pessoas foram matéria-prima e produto final feito matéria-prima.

Ou o conforto de saber que construir é tarefa exigente e que, ainda assim, vai haver umas mãos, de antes ou depois, que saberão sempre como nos consolar.

Miguel