Tabu. Ponto.

Toda a gente sabe que ser pai é difícil. Mas toda a gente sabe também que não é suposto falar disso.

Não é suposto ir além do comentário vago, feito entredentes, que deve ser imediatamente seguido de uma declaração de amor incondicional aos filhos. “Sim, ter um filho é difícil. Mas é maravilhoso!”

Isto, para contrabalançar a terrível verdade que acabou de se dizer.

“Estás a queixar-te do quê, se o teu filho dorme a noite toda?” Na realidade, o que nos querem mesmo dizer é: estás a queixar-te do quê, se ser mãe é espectacular, a sensação mais maravilhosa do mundo, se esta criança concretizou um dos teus maiores sonhos?

Só que ser pai ou mãe, a maior parte do tempo, é só difícil. Ponto.

Isto é um tabu. Ninguém se sente confortável para o dizer, mesmo que o pense muitas vezes. Ninguém se sente confortável para o ouvir, a não ser depois de uma noite de copos e tendo à frente outro casal de pais que, sem o assumir, sente o mesmo.

Se à complexidade dos sentimentos que é preciso gerir juntarmos também a culpa inerente ao exercício da paternidade e da maternidade, então, estamos perante a tempestade perfeita – o que em linguagem de pais se traduz por “Isto hoje está o caos”, que, por sua vez, resume o seguinte: “Eu estou cheia de fome, a bebé está a chorar, o cão ainda não foi passeado, ninguém descongelou nada para o jantar, o telefone não parou de tocar, só queria era sentar-me um bocado, é preciso lavar os biberões, se calhar ela hoje vai sem banho para a cama e não sei se há leite suficiente para amanhã de manhã.”

Ponto.

Minês

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