A culpa.

O pediatra diz-te que ela pode ter perdido peso e a primeira coisa que um pai pensa é: “o que é que terá acontecido?”. Para uma mãe, a primeira coisa que lhe passa pela cabeça é: “o que é que eu terei feito?”. Ser mãe é sentir culpa.

Culpa porque estás com ela, quando devias estar a fazer outras coisas. Culpa quando estás a trabalhar e sentes que devias estar com ela. Culpa quando ela não está bem. Culpa quando ela está bem mas podia estar melhor. Culpa quando se coloca a mínima hipótese de lhe estares a falhar. Responsabilizas-te por coisas que, na realidade, não são bem culpa tua. Nem podiam ser.

Diz-me uma boa amiga que esse sentimento é inerente à maternidade. “Vai-te habituando”, diz ela. O que acontece é que nunca chegas a poder expiar essa culpa e, portanto, vais acumulando o perigoso sentimento em doses diárias e fatais. Certo, a culpa pode não ser tua. Mas ela é tua e as fronteiras do que começa e acaba em ti, no que a ela dizem respeito, ainda não se começaram a desenhar (na tua cabeça).

A maternidade torna-nos mais generosas com o mundo, mas muito menos connosco.

Minês

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